ESPAÇO DELMA GODOY

Em julho de 2002, fiz uma viagem a Ushuaia - El Fin Del Mundo - na Patagônia, onde vivenciei uma grande espiritualidade, talvez por estar conectada à uma solidão cósmica, superior ao meio-ambiente selvagem e inóspito, onde a minha concepção como artista plástica definiu novos rumos na pesquisa de novas linguagens.

Ao voltar, inaugurei o ESPAÇO DELMA GODOY, junto ao meu atelier, com a determinação de expor periodicamente exposições resultantes destas novas pesquisas.

Iniciei com a exposição - O SILÊNCIO DAS CORES (2002), pintura acrílica sobre tela, onde trabalhei a difusão abstrata das tintas sobre o tecido, criando superposições, texturas e paisagens imaginárias.

Em março de 2003, fui fazer o Caminho Francês de Santiago de Compostella, onde caminhei 750 km, atravessando uma Espanha românica, gótica e florestas isoladas. Nesta viagem, a conexão espaço físico-espírito, impregnou meus novos trabalhos, resultantes nas exposições: TELAS DE SANTIAGO (2004) e DE TODO MEU CORAÇÃO...(2005), onde iniciei um trabalho figurativo, com colagens, carimbos, poesias, símbolos, e um novo gestual, derivado principalmente da minha experiência como escultora.

Em 2006, na exposição: IMPRÓPRIOS APROPRIADOS - esculturas em resina de poliéster, reuni fragmentos residuais do meu atelier de resina, fazendo uma reflexão antropofágica, em que o ato da criação deixa marcas indeléveis no cotidiano do atelier, e permite que o olhar, não só permaneça em devaneio, como resulte pessoal e intransferível.

Em 2010, na exposição: SONATAS EM MURMÚRIOS - gravuras digitais, que foram pesquisadas nos últimos 2 anos através da tecnologia de softwares e câmeras digitais, fiquei absolutamente fascinada pela liberdade e imensas possibilidades que esta tecnologia computadorizada apresenta, ampliando novas incursões dentro dos recursos das artes plásticas.

Meu lado lúdico permanece em todos os trabalhos, aliados à organicidade, transparência, pesquisa, e principalmente à observação primordial.

Delma Godoy

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